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Como consultar processo pelo número: o que cada parte do número CNJ significa

Como ler o número CNJ de 20 dígitos para saber de qual justiça e de qual tribunal é o processo, onde consultar cada um e como evitar os erros que fazem a busca voltar vazia.

30 de outubro de 2026

Para consultar processo pelo número, primeiro leia o próprio número: no formato CNJ (NNNNNNN-DD.AAAA.J.TR.OOOO), o dígito J diz o segmento da Justiça e os dois dígitos TR dizem o tribunal. Com isso você sabe em qual site procurar, e basta digitar os 20 dígitos na consulta processual pública desse tribunal.

O formato vem da Resolução CNJ 65/2008, que unificou a numeração dos processos em todo o Judiciário. Desde então, o número carrega a origem do processo: ano, justiça, tribunal e unidade. Quem sabe ler o número não perde tempo procurando processo federal no site do tribunal estadual, nem estranha quando a busca volta vazia porque o número foi copiado sem zeros.

Para o escritório, isso tem um efeito prático: o número CNJ é a chave de todo o acompanhamento processual. Se ele estiver errado no cadastro, nenhuma consulta, nenhuma planilha e nenhum sistema vai achar o processo.

O formato do número CNJ, parte por parte

O número tem 20 dígitos, divididos em seis blocos. Pegue como exemplo o número fictício 0001234-71.2024.8.26.0100.

BlocoNo exemploO que significa
NNNNNNN0001234Número sequencial do processo naquela unidade, naquele ano
DD71Dígito verificador, calculado a partir dos outros dígitos
AAAA2024Ano em que o processo foi ajuizado
J8Segmento do Judiciário (aqui, Justiça dos Estados e do DF)
TR26Tribunal ou região (aqui, o Tribunal de Justiça de São Paulo)
OOOO0100Unidade de origem, conforme a tabela do próprio tribunal

Lendo de trás para frente, o número conta uma história: o processo nasceu numa unidade do TJSP, no ano de 2024, e foi o de número 1.234 daquela unidade naquele ano.

O dígito J: qual Justiça

O décimo quarto dígito (o J, depois do ano) é o primeiro que você deve olhar. Ele separa as justiças:

JSegmento
1Supremo Tribunal Federal
2Conselho Nacional de Justiça
3Superior Tribunal de Justiça
4Justiça Federal
5Justiça do Trabalho
6Justiça Eleitoral
7Justiça Militar da União
8Justiça dos Estados e do Distrito Federal
9Justiça Militar Estadual

Na prática do escritório, os três que mais aparecem são o 8 (estadual), o 4 (federal) e o 5 (trabalho).

O código TR: qual tribunal

O TR depende do segmento. Nos tribunais superiores e conselhos, ele é 00. Na Justiça Federal, é a região do TRF (01 a 06). Na Justiça do Trabalho, é a região do TRT (01 a 24). Na Justiça Estadual, é o estado, em ordem alfabética:

TREstadoTREstadoTREstado
01AC10MA19RJ
02AL11MT20RN
03AP12MS21RS
04AM13MG22RO
05BA14PA23RR
06CE15PB24SC
07DF16PR25SE
08ES17PE26SP
09GO18PI27TO

Repare que a ordem é pelo nome do estado, não pela sigla: por isso o Amapá (03) vem antes do Amazonas (04), e o Distrito Federal (07) aparece entre o Ceará e o Espírito Santo.

Alguns atalhos que valem decorar: 8.26 é TJSP, 8.19 é TJRJ, 8.13 é TJMG, 4.03 é TRF da 3ª Região, 5.02 é TRT da 2ª Região.

A unidade de origem (OOOO)

Os quatro últimos dígitos indicam a unidade onde o processo começou: foro, comarca, vara ou seção judiciária, conforme a organização de cada tribunal. Não existe uma tabela nacional que diga que 0100 é sempre a mesma coisa: cada tribunal publica a sua.

Duas observações úteis:

  • O código é da origem. Se o processo for redistribuído para outra vara, o número não muda.
  • O número também acompanha o processo quando ele sobe em recurso. Nos tribunais superiores, o recurso costuma ganhar ainda uma numeração própria de classe (REsp, RR, ARE), mas o número CNJ continua sendo a referência.

Três exemplos decifrados

Número (fictício)J e TROnde consultar
0001234-71.2024.8.26.01008.26: Justiça Estadual, SPConsulta processual do TJSP
5001234-26.2023.4.04.70004.04: Justiça Federal, 4ª RegiãoConsulta processual do TRF da 4ª Região
0001000-16.2024.5.02.00015.02: Justiça do Trabalho, 2ª RegiãoConsulta processual do TRT da 2ª Região

Os dígitos verificadores desses exemplos estão corretos, então você pode usá-los para testar uma planilha de validação. Os processos, obviamente, não existem.

Passo a passo para consultar processo pelo número

  1. Confira se o número tem 20 dígitos. Contando só os algarismos, sem pontos e traço. Se tiver menos, faltam zeros à esquerda no sequencial.
  2. Leia o J e o TR. Eles dizem o tribunal. Não confie no que o cliente disse ("é na Justiça Federal"): confie no número.
  3. Abra a consulta processual pública do tribunal. Cada tribunal tem a sua, e alguns têm mais de uma, conforme o sistema em que o processo tramita.
  4. Digite o número completo. A maioria dos sites aceita com ou sem pontuação, mas alguns separam os campos (sequencial, ano, unidade). Preencha cada campo com os zeros.
  5. Se não achar, verifique o sistema. Muitos tribunais têm processos em sistemas diferentes (por exemplo, um para processos antigos e outro para os novos, ou um para os juizados). O site do tribunal costuma indicar onde consultar cada tipo.

Por que a busca volta vazia: os erros mais comuns

SintomaCausa provávelO que fazer
"Processo não encontrado"Faltam zeros à esquerda ou um dígito foi trocadoContar os 20 dígitos e conferir o dígito verificador
Número com cara de outro formatoProcesso antigo, com numeração anterior à unificaçãoBuscar pela numeração antiga ou pelo nome da parte, onde o tribunal permitir
Encontra, mas sem andamento visívelSegredo de justiçaConsultar logado, como advogado habilitado nos autos
Encontra no site, mas não no sistema eletrônicoProcesso físico ou em outro sistema do mesmo tribunalVerificar no site qual sistema atende aquela unidade
Número da planilha termina em zeros estranhosO Excel converteu o número em valor numéricoVer a seção abaixo

O erro do Excel que estraga o cadastro de processos

Esse merece destaque porque acontece em quase todo escritório que controla processos em planilha. O Excel guarda números com no máximo 15 dígitos significativos. Se você colar um número CNJ só com algarismos numa célula com formato numérico, ele vira algo como 1,23E+19, e os últimos dígitos são trocados por zeros. O número fica errado para sempre, e ninguém percebe até a consulta falhar.

Como evitar:

  • Formate a coluna como texto antes de colar qualquer número.
  • Guarde o número com a pontuação (0001234-71.2024.8.26.0100). Com traço e pontos, o Excel não tenta convertê-lo.
  • Crie uma coluna de conferência com a quantidade de dígitos. Se não der 20, a linha está errada.

Como validar o dígito verificador

O DD não é aleatório. Ele é calculado pelo método do módulo 97 (norma ISO 7064), o mesmo princípio usado em códigos bancários internacionais. A conferência mais simples é esta: junte os dígitos na ordem NNNNNNN + AAAA + J + TR + OOOO + DD, formando um número de 20 dígitos, e divida por 97. Se o resto for 1, o número é válido.

No exemplo 0001234-71.2024.8.26.0100, o número reordenado é 00012342024826010071, e o resto da divisão por 97 é 1. Se alguém digitar 0001243 em vez de 0001234, o resto deixa de ser 1 e o erro aparece antes da consulta.

Ninguém precisa fazer essa conta à mão. O que importa é saber que ela existe: sistemas e planilhas bem feitos recusam número com dígito errado, e isso evita o processo fantasma, cadastrado com um algarismo trocado e que nunca recebe andamento nenhum.

Do número à rotina do escritório

Saber consultar um processo é o começo. O trabalho de verdade é consultar 200 deles toda semana sem perder nada, e é isso que o guia de acompanhamento processual organiza: quais fontes abrem prazo, quais só mostram andamento e como olhar apenas o que mudou.

Lembre que a consulta processual pública mostra andamento, mas não substitui a leitura das intimações. O prazo corre da intimação, e o caminho para não perder nenhuma está na rotina de conferência de publicações e no guia de prazo processual.

Perguntas frequentes

Dá para consultar qualquer processo só pelo número?

Os processos públicos, sim, na consulta processual do tribunal de origem. Processos em segredo de justiça aparecem com informação limitada ou não aparecem, e o conteúdo só fica acessível para as partes e advogados habilitados.

Como saber se o processo é da Justiça Federal ou Estadual pelo número?

Olhe o dígito depois do ano. Se for 4, é Justiça Federal; se for 8, é Justiça Estadual; se for 5, é Justiça do Trabalho.

O que significam os quatro últimos dígitos do número do processo?

São o código da unidade de origem (foro, comarca, vara ou seção), segundo a tabela de cada tribunal. Eles não mudam se o processo for redistribuído.

O número do processo muda quando ele vai para o tribunal?

O número CNJ acompanha o processo nas instâncias. Nos tribunais superiores, o recurso pode receber também um número de classe próprio, mas o número CNJ continua identificando o processo.

Por que o número do processo tem um dígito verificador?

Para detectar erro de digitação. Se um algarismo for trocado, a conta do módulo 97 deixa de fechar e o número é identificado como inválido antes de qualquer consulta.

Próximo passo

Pegue a lista de processos do escritório e confira duas coisas: se todos os números têm 20 dígitos e se a coluna está guardada como texto. Corrigir isso agora evita o processo que nunca é encontrado. A planilha de prazos e processos do fim deste artigo já vem com a coluna do número CNJ formatada do jeito certo, e um sistema como o dashboard.adv.br usa esse mesmo número para trazer as movimentações do DataJud para dentro da ficha do processo.

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